SESSÃO ESPECIAL “A ESCOLA DUQUE DE CAXIAS” NÃO PODE FECHAR

            Permitam-me ao iniciar este discurso
nesta honrada tribuna desta Casa Legislativa, citando o saudoso poeta macauense
Edinor Avelino que, nos diz: “A minha
terra, calma e boa, trago-a nas cismas de saudade em que ando atento,
contemplando-a com os olhos cheios d’água, nos grandes voos do meu
pensamento…”
            Esta terra calma e boa, também passa
por desafios, desafios este que, nos levam a cada dia refletir sobre a sua
importância bem como a sua história. Pensando nisso que, nossos antepassados
macauense plantaram uma semente para dar um futuro digno aos seus filhos e as
suas filhas, pois não existe nenhum tesouro mais importante, como brilho
esplendoroso do que, um pai ou uma mãe de família “educar a sua prole”. E Macau, no dia 15 de setembro de 1917,
recebeu com grande alegria a noticia da construção de um grupo escolar, como
noticiou o Jornal de Macau naquele dia.
            Toda e qualquer iniciativa parte de
um sonho ou pensamento, este que se concretizou no dia 26 de fevereiro de 1923,
pelo Decreto n° 198, que oficializava o Grupo Escolar Duque de Caxias, que foi
inaugurado solenemente em 02 de maio daquele mesmo ano. Por longos 90 anos, nesta
quase centenária escola, gerações e gerações de macauenses cresceram. E mesmo
que não admitam, estudar no Duque de Caxias ainda é motivo de orgulho, pois por
lá passaram e hoje estão formados juízes, promotores, médicos, enfermeiros
(as), professores, garis, asg’s, cozinheiras, merendeiras, vereadores e
vereadoras, enfim todas as classes sociais passaram pelo Duque de Caxias.
            E este olhar atento do verso do
saudoso poeta ora citado no início, é o que nos faz vir aqui perante esta casa,
de onde emana a vontade do povo, da qual os senhores e as senhoras tem o dever
de zelar pelo bem maior da nossa cidade, contemplamos muitos momentos de
dificuldades nas etapas de formação da aprendizagem dos filhos e filhas de
Macau que, hoje frequentam nossas salas de aulas e andam pelos nossos
corredores, com saudade daqueles que passaram por aquele Casarão na época do
Grupo Escolar e também dos que frequentavam o atual prédio.
            Temos um desafio em nossas mãos,
diante da assustadora notícia do seu provável fechamento. Não permitamos que os
nossos olhos se encham de lágrimas, não das lágrimas do saudosismo, mas essa
será a lágrima da dor, de uma perca irreparável, não só para cada um de nós
aqui, mas para toda uma Macau, que acreditam e tem fé em seu futuro.
            A Escola Estadual Duque de Caxias,
não é só de Macau, mas também, de toda esta região salineira, pois se pesquisarmos
em nossos arquivos, veremos que os filhos e filhas ilustres dos municípios
vizinhos também estudaram em nossa escola: Guamaré, Pendências, Alto do
Rodrigues. Pois essas cidades, até o final da década de 50 e início da década
de 60 do século passado, faziam parte do nosso município.
            Não é fechando uma escola que se
resolve a reestruturação de setores públicos abandonados pelo atual Governo do
Estado. Pois, se querem um lugar para colocar a sede da 6ª DIRED ou da Central
do Cidadão, que esta não seja planejada querendo fechar uma escola, quer seja,
o Duque de Caxias ou Donana Avelino ou qualquer outra instituição de ensino,
fechar o Duque de Caxias é mutilar a sociedade macauense.
Que
a futura geração macauense, não fique marcada, como ficou a dos nossos avós,
pais e demais familiares com a demolição do Casarão que era símbolo da alegria
e do orgulho dos macauense no início da década de 70, quando da derrubada do
Grupo Escolar Duque de Caxias, que até hoje não existem justificativas para
tal.
            Citamos também que em Macau existem
vários prédios públicos abandonados que podem servir para o fim desejado do
governo, citamos, por exemplo, a Casa da Cultura, que pode por Decreto
Administrativo da senhora governadora, passar da responsabilidade da Fundação
José Augusto, para Secretaria de Educação (usá-la para a Dired) ou para
Secretaria de Justiça (Central do Cidadão), bem como o prédio do CIAM, na Rua
Frei Miguelinho. Ao contrário do que se diz a escola não está com número baixo
de matrículas, haja vista no inicio do ano letivo tínhamos 165 matrículas e
hoje contamos mais de 200 educandos e educandas em nossa instituição de ensino,
contamos com duas salas de aulas climatizadas (ao qual somos pioneiros) e a
sala de vídeo, além de uma biblioteca e laboratório de informática.
            Diante destas reflexões vimos nesta
noite, solicitar que se unam em prol do bem comum, não permitindo que ato do
provável fechamento da Escola Estadual Duque de Caxias, passe para o papel,
lutem pelo bem do povo, ora representado nesta honrada Câmara Municipal, por
vossas excelências, ao mesmo tempo em que pela história, pela tradição, por sua
função social e pelos serviços prestados a sociedade macauense, que a Escola
Estadual Duque de Caxias, prestes há completar 100 anos seja considerada por um
projeto de Lei “Patrimônio da Cidade de Macau”,para que o fantasma do fechamento
não venha a nos assolar, e como dissemos fechar o Duque de Caxias é mutilar a
sociedade macauense, e assim a escola continue contribuindo para educação e
formação dos cidadãos macauense.
Encerro
as minhas palavras citando os filósofos Pitágoras e Aristóteles, que nos diz: “Educai
as crianças, para que não seja necessário punir os adultos”
e “A
educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces”.
Muito
Obrigado. Boa noite!
 Professor George 

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