FILARMÔNICA MONSENHOR HONÓRIO – A BANDA DE MUSICA, SEMPRE NAS NOSSAS RECORDAÇÕES

Quando
criança na minha pequena cidade, depois da professora, a pessoa mais importante para mim era o Maestro da Banda. 
Não tive dom ou habilidade para a música, mas sempre gostei da boa música e
então o Maestro Roque, depois da Professora Nair, era a pessoa mais importante
da cidade. Ao me recordar da sua imagem, vejo-o um misto de Castro Alves e
Balzac, foi assim que ele ficou na minha memória. E hoje, quando vejo uma Banda
com seus dobrados retorno à minha pequena e querida aldeia na praça onde aos
domingos a Banda de Música fazia suas apresentações nos Coretos, naqueles
dezembros marcados com perfume das Sibipirunas, o perfume da minha cidade.
Agora, chega o memorialista Getúlio Teixeira com suas incontáveis lembranças de
Macau, entre elas a da Banda de Música.  Os que viveram com Getúlio essas
boas lembranças decerto gostarão de recordá-las, os que não viveram, lamentem,
pois perderam um tempo de inocência e felicidade que o capitalismo trucidante
não deixa mais voltar. A Filarmônica uma senhora com mais de 
100 anos.
Durante muito tempo foi chamada carinhosamente de Furiosa. Sua Sede, por
algumas décadas, estava situada num prédio simples ao lado da Igreja Matriz,
onde os maestros faziam os ensaios e mantinham uma escola preparatória de
músicos.  Alguns maestros comandaram a Banda por muitos anos, entre eles o
Mestre Avelino, exímio clarinetista, saxofonista e compositor, Seu Antonio
Rozendo, militar reformado da Policia,  Seu Augusto, prata da casa, foi
quem teve na regência por maior tempo, Henrique, trompetista, participou da
orquestra de Waldemar de Almeida e acompanhou grandes cantores na Rádio Poti,
depois de um acidente foi  para Macau ser Maestro da Banda de Musica e
 Castro, sargento da Policia Militar e quem mais incrementou a Banda,
dedicando-se à formação de jovens músicos. Pela Banda de Macau passaram
excelentes músicos, entre eles, Luiz de Madalena que tinha domínio total sobre
o trombone e sua presença garantia a qualidade da execução das musicas. Era um
músico presente tanto nos grandes bailes de carnaval como nos pastoris, no
cabaré de Zé Lemos, na Coréia e nos desfiles das Escolas de Samba, Alberto
Dantas, conhecido como Betinho, dominava o clarinete com maestria, era de
Carnaúbas dos Dantas e tinha a vaidade de dizer que era sobrinho do grande
maestro Tonheca Dantas, Orlando Silva, o Cadete era o homem do tarol
principal da banda.  A Banda, por algum tempo foi composta por músicos de
uma mesma família: a de Zé Rita tocador de tuba e seus filhos,  Assis, que
tocava prato,  Seu Bira que tocava tuba e Juarez que tocava saxofone. Da
família de Zé Badalo tinha Armando tocando bombardino, Mário tocando trompete e
Alfredo tocando bombardino,  da família de Chico Ourives, ele
clarinetista, o genro, Luiz de Madalena, trombone e Vada que tocava tarol.
 Os músicos eram praticamente amadores e só foram profissionalizados pelo Prefeito
Kidinho, que reconheceu a profissão tornando-os funcionários municipais. Antes,
eles recebiam por tocatas oficiais e pelos ensaios
.As
tocatas eram obrigatórias nas festas religiosas como as de Nossa Senhora da
Conceição, a Festa dos Navegantes e as novenas de maio. Já as tocatas oficiais
eram as solenidades da Prefeitura e as retretas aos domingos, a grande alegria
da Praça da Conceição.  Às quatro horas da tarde o misto de jardineiro e
zelador da Praça, Severino Royal trazia as cadeiras e arrumava na Coluna Centenária
para apresentação da Banda. O apelido de Royal tinha ver com a Banda.
 Certa ocasião Seu Albino, o prefeito, assistia a retreta da esquina da
loja de Amaro do Vale e mandou um recado por Severino para o maestro para a
Banda tocar Royal Cinema.  O velho jardineiro atrapalhou-se com o recado e
disse ao maestro Royal Briar que era um perfume popular na época. A conversa
espalhou-se e ao nome de Severino, o povo acrescentou o Royal. Nas festas religiosas, a alvorada era às cinco horas e
a tocata às doze horas, quando os músicos saíam da Sede e caminhavam tocando
até a esquina da Praça Monsenhor Honório, onde encerravam a apresentação. Era
muito comum, marítimos e estivadores convidarem toda a Banda para suas
residências onde os esperavam uma mesa com tira gosto e bastante bebida. A
presença da Banda na casa de uma pessoa representava status. Como na musica de
Chico Buarque, quando a banda passava as mocinhas corriam para a janela, os
meninos a acompanhavam imitando os passos dos músicos, os bebuns largavam o
copo e corriam para calçada e os mais tristes sorriam e aplaudiam a execução
dos dobrados. 
A Filarmônica Monsenhor Honório foi fundada no
ano de 1910, pelo Padre Joaquim Honório da Silveira, que trouxe do pará o
regente Constantino,
batizada
com o nome de Xaranga Nossa Senhora da Conceição, era composta na época por 12
(doze) músicos e pertencia a paróquia.
Em
1960, a Prefeitura assumiu a direção da mesma, equipando com instrumentos,
fardamento, entre outros materiais. Em 1969, 
assumia a regência da
banda o Maestro Cicero Martins de Castro, que batizou “Filarmônica
Monsenhor Honório”. Atualmente a Filarmônica Monsenhor Honório e
composta por 49 músicos, o regente e o Maestro Fabio e seu auxiliar Monitor
Dailson. 
Fontes: Getulio Texeira,
Claudio Guerra  e Fundação de Cultura




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